VEZ NOSSA DE CADA DIA...
O que será que se passa nas cabeças das pessoas que chegam a encarar, constantemente, filas gigantescas em bancos, hospitais, supermercados e outros estabelecimentos urbanos? São verdadeiras maratonas que desgastam corpos e mentes de um modo irracionalmente desumano.
Normalmente, o silêncio toma conta dos que estão quase em transe, limitando a comunicação através de olhares e gestos discretos. Em outras situações, uma fila torna-se fonte de informações sobre nós mesmos.
Uma situação que chamou minha atenção, aconteceu ontem. Enquanto aguardava, exaustivamente, a "minha vez", na fila "comum" das Casas Lotéricas, presenciei uma senhora bem mais próxima a ser atendida, na mesma fila que a minha, divertindo-se, a criticar um jovem que estava na fila preferencial e usava aparelho auditivo.
A senhora, nem um pouco discreta, chamou a atenção de todos, das duas filas, e bradava que o rapaz estava sendo esperto e que não era, de modo algum, deficiente físico. Outras mulheres, próximas à tal senhora, olhavam com ar de zombaria para o rapaz que, já sem jeito e meio nervoso, comentou com a pessoa ao lado sobre a ignorância da senhora, ao mesmo tempo em que mostrava para todos o seu aparelho auditivo.
Reflito agora: deficiência auditiva, então, não é mais um tipo de deficiência? E discriminação não é mais crime? Insensibilidade... deveria ser também! E a ignorância maléfica? O que é?
Várias coisas, realmente, passam nas mentes das pessoas presentes nas filas exaustivas, porém, o julgamento humano parece intrínseco a todos nós mortais. Vários sentimentos também me visitam nesse momento: sinto vergonha, medo, assombro e lembro, meio tensa, dos tempos da Inquisição... Heranças reprimidas que, na primeira oportunidade, sempre falam mais alto.
Nenhum comentário:
Postar um comentário